AGENDA | Lançamento do livro “Mês de Sonho: Conspecto de Etnografia Açórica”, de José Leite de Vasconcelos

No próximo dia 16 de janeiro, pelas 18h30, a Igreja de Santo André, integrada no Museu Carlos Machado, acolhe o lançamento da nova edição de “Mês de Sonho: Conspecto de Etnografia Açórica”, de José Leite de Vasconcelos, uma das figuras maiores da etnografia e da cultura portuguesas. A sessão contará com a apresentação da Doutora Susana Goulart Costa, investigadora e especialista em estudos açorianos.
Esta edição, coordenada por Ana Cristina Gil e Vasco Medeiros Rosa, representa um trabalho de investigação, atualização e reorganização que devolve ao público um dos mais importantes testemunhos da viagem que Leite de Vasconcelos realizou aos Açores em 1924. Diferente dos relatos jornalísticos imediatos produzidos por outros membros da comitiva, “Mês de Sonho” apresenta uma construção mais elaborada. Inicialmente pensada para uma conferência na Academia das Ciências de Lisboa, distingue-se pela profundidade com que observa a cultura, os costumes e a vida quotidiana do arquipélago.
A nova edição reestrutura o volume original: o diário de viagem passa a constituir a segunda parte do livro, seguido pelo “Aditamento”, onde o autor reuniu materiais complementares, e por uma secção inédita, “Arquivo”, que integra correspondência, artigos dispersos, o prefácio da edição de 1992 e documentos que permitem compreender a receção histórica da obra e o debate em torno da criação de um museu etnográfico dos Açores.
O trabalho editorial inclui ainda a introdução de índices onomástico e analítico, ausentes das edições anteriores. As fotografias publicadas em 1926 foram substituídas por imagens de Francisco Afonso Chaves, homenageando o fotógrafo no centenário da sua morte. Notas marginais esclarecem referências históricas, figuras e acontecimentos da época, oferecendo ao leitor contemporâneo novas chaves de leitura e contextualização.
“Mês de Sonho” permanece uma obra singular na bibliografia de Leite de Vasconcelos, não apenas pelo rigor científico, mas também pela sensibilidade com que descreve a paisagem humana e natural dos Açores. Esta edição revista e ampliada pretende reforçar a relevância histórica e cultural do livro, tornando o acessível a novos leitores, investigadores e a todos os que se interessam pela identidade açoriana.
LL/RÁDIOILHÉU






