REGIONAL

PRAÇA DE TOIROS DA ILHA TERCEIRA- Grande Festival Taurino – Os Toiros voltaram

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Neste sábado 15 de agosto de 2020, pelas dezanove horas, sete da tarde, dia da Assunção de Nossa Senhora, feriado em Portugal, realizou-se na Monumental da Ilha Terceira uma corrida de toiros organizada pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, com a finalidade de angariar fundos para as obras das igrejas das Lajes e da
Agualva.
Na sexta-feira da semana anterior tinha-se realizado o tradicional Festival de Capinhas, o primeiro espetáculo taurino autorizado de 2020, neste tempo de coronavírus – covid-19.
A tarde estava boa e o público respondeu aos cartazes do evento, pagando um preço indiferenciado de 12,50 euros por cada entrada, preenchendo cerca de meia praça, o que foi muito bom para os tempos que correm.
Do cartaz contavam 6 toiros, 1 de Rego Botelho, 1 de José Albino Fernandes, 1 de Ezequiel Rodrigues, e 3 de Gregório de Oliveira. Os três artistas deste espetáculo foram os dois cavaleiros e irmãos Pamplona – Tiago e João – e o matador Manuel Dias Gomes. As pegas estiveram a cargo dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica
Terceirense e do Ramo Grande. Abrilhantou o espetáculo a Filarmónica da Agualva. Era obrigatório o uso de máscara. Só o toiro e os cavalos não a tinham…
Não querendo, nem sabendo, fazer qualquer análise técnica ao espetáculo diria que gostei do que vi, e, comparando com outros eventos que já assisti, saí satisfeito com a atuação de todos os intervenientes. Sentia-se um ambiente de alegria, de repor uma festa muito nossa, o preenchimento de um vazio deixado pelo Covid-19. A mais pequena manifestação de alguma coisa relacionada com o espetáculo dava lugar a uma salva de palmas. Foi o caso de quando a filarmónica tocou pela primeira vez, de quando entraram os primeiros forcados na praça, da entrada dos pastores, da entrada das quadrilhas, dos cavaleiros, tudo servia para mostrar o nosso agrado por termos de volta o que é muito nosso e só nós sentimos a falta que fazia.

Nem tudo foi reposto neste Festival Taurino. Os vendedores ambulantes de gelados e pipocas não estavam dentro da praça, só no exterior, o das pipocas. Os bares estavam fechados faltando a cervejinha, em tarde de calor, e a tradicional bifana, que eu costumo chamar, na brincadeira, de “sanduiche cheia de esterco”, que me preenche, muitas vezes, o lugar do jantar. Todos os artistas do espetáculo saíram com máscaras na cerimónia de apresentação (na sua atuação não foi necessário porque os toiros tinham feito o teste…). O público estava todo de máscara, sentado em lugar com intervalo de dois lugares vazios, desfasado da fila ao lado, exceto para familiares, que estavam juntos. O público, no geral, cumpriu as regras impostas pela Direção Regional de Saúde. Aqui e ali poderá ter havido uma pequena regra infringida, mas também estados todos testados e descontaminados.
Nós, Terceirenses provamos que sabemos fazer um evento taurino em tempo de pandemia. Que venham mais para que alguma normalidade festeira, cultural e económica regresse à Terra dos Bravos.

OPINIÃO POR LIDUÍNO BORBA

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.