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OPINIÃO- Sustentabilidade, por Orlando Fontes

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Se alguma coisa podemos aprender com esta pandemia, é que nada pode ser dado como adquirido. Torna-se por isso urgente tomar medidas que assegurem a nossa autossuficiência, sobretudo nas áreas onde temos maior potencial: nas pescas e na agricultura. Está mais do que provado que a monocultura da vaca tal como a conhecemos (subsídiodependente) não é sustentável. E o turismo, para quem ainda não tinha percebido, é volátil e imprevisível.

A qualidade e extensão do nosso mar e a fertilidade dos nossos solos deveriam ser uma aposta inequívoca de uma região que navega ao sabor das políticas de Bruxelas, sempre à espera do dinheiro fácil. Uma região que, em vez de beneficiar aqueles que se dedicam à produção, alimenta um sem-número de intermediários e serviços, numa teia interminável que reverte a favor dos mesmos que criaram a política agrícola comum.

É tempo de pensarmos pela nossa cabeça e usar o manancial técnico e científico dos nossos investigadores, da Universidade e dos laboratórios da região e canalizá-los para o desenvolvimento sustentado das pescas e da agricultura. Há já exemplos bem-sucedidos dessas práticas e que resultaram em criação de emprego, mão-de-obra qualificada, produtos com mais-valias, exportação.

Uma região periférica como a nossa não pode competir com mercados onde o custo de produção atinge valores que são para nós insuportáveis. Onde podemos e devemos apostar é na qualidade e na especificidade dos nossos produtos, nomeadamente através da conversão para a agricultura biológica. No médio prazo, permitirá um desenvolvimento sustentado, preservando os solos e os recursos hídricos, criando emprego qualificado e riqueza que poderá ser replicada em mais investimento, ao mesmo tempo que preservamos recursos para as gerações vindouras.

Ao Governo, cabe facilitar a iniciativa privada, simplificar a burocracia e definir metas. Diligenciar para que junto dos organismos da Administração Regional se consumam produtos locais, de preferência biológicos, e contribuir para a educação da população, sobretudo a escolar, para os benefícios dos mesmos. Este será também um investimento na qualidade de vida e na saúde dos Açorianos.
Os Açores poderão crescer e vingar por si mesmos, diminuindo a dependência do exterior, se potenciarmos o conhecimento das nossas gentes e dos nossos recursos. À imagem de outras ilhas por esse mundo, podemos optar por tomar as rédeas do nosso destino. Beneficiamos de diferentes tipos de solo, cada ilha com as suas especificidades e potencial, que permitem uma enorme variedade de culturas frutícolas e hortícolas, passando pela criação de caprinos e ovinos.

Portugal e os Açores em particular continuam na cauda da Europa no que diz respeito à agricultura biológica, nomeadamente na área agrícola utilizada para esse fim. Teremos de arrepiar caminho e aproveitar, em nosso benefício, as oportunidades de crescimento.

Opinião de Orlando Fontes, Apoiante da Iniciativa Liberal – Açores

IL/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.