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OPINIÃO – O sorriso que a máscara pode “roubar” e as emoções que pode esconder, pela Prof. Susana Afonso

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“Recuso-me a aceitar que o sorriso seja um ato intransmissível. José Saramago (1985)”. José Saramago, Nobel de Literatura em 1998, escreveu três páginas acerca do sorriso num texto intitulado “O Sorriso”, in “Deste mundo e do Outro. Lisboa: Editorial Caminho, 1985, 2a ed., pp 227-229”. Escreveu José Saramago que sorrir” (…) é o verbo mais transitivo de todas as gramáticas” e “Não há dois sorrisos iguais”.

Com o arranque de um novo ano letivo, começo por referir que o sorriso é muito importante nas escolas. Na minha opinião o sorriso representa um comportamento de afeição e de vinculação, é a manifestação exterior de determinada emoção. Com a privação do mesmo corremos o risco de a emoção não ser sentida. O fenómeno do sorriso é decisivo no desenvolvimento do processo cognitivo e afetivo do sujeito, uma vez que o mesmo se vai aprendendo quando o ato de sorrir tem efeito previsível no ambiente e, assim, provocará os mecanismos simbiótico e objetal.

O sorriso influencia o nosso e o comportamento do outro, por isso está associado ao fenómeno de aceitação do outro. Dificilmente um indivíduo bem formado se furta ao contágio e à identificação de um rosto que transmite a expressão de tristeza, sofrimento ou alegria, assumindo empaticamente, a mesma forma e sentindo o que o outro sente. Por isso, é importante, mesmo tomando todas a medidas necessárias de proteção, continuarmos atentos e focados no outro. Apesar de o índice de assertividade estar a aumentar, a verdade é que a dificuldade em lidar com as emoções é uma evidência.

Agora, devido à situação tão exigente que vivemos, mais que nunca, devemos evitar negligenciar que as emoções, episódios de curta duração, representem uma rutura do equilíbrio afetivo. Assim sendo, é imperativo saber viver com as emoções. Continuemos aliados pela educação.

ALIANÇA/AÇORES/PROF/SUSANAAFONSO/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.