REGIONAL

OPINIÃO- Caixa Do Jardim, Duas horas na fila à espera

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Hoje, quarta-feira “fui à cidade” tratar de uns assuntos em tempo de Coronavírus. Angra do Heroísmo está irreconhecível. A Rua da Sé com pouca gente, com poucos carros, os cafés fechados, o Alto da Covas com “A Porta Larga” aberta mas com umas mesas a servir de “tapadoira” com o António lá dentro à espera que alguém lhe peça uma refeição para levar ou um café para tomar na rua. O comércio em geral está todo fechado.

O correio fecha às 13h30m (1h30m), quando costumava fechar às 18 horas (6 da tarde), com uma fila de espera até quase à Pastelaria Central, embora com três funcionários a atenderem o público (só entram os que estão a ser atendidos, mesmo que chova). As farmácias funcionam pelas “gateiras” de atendimento noturno, com algumas pessoas também à espera na rua para serem atendidas. A construção civil continua a funcionar como se o Corona fosse enterrado nas valas da rua junto ao Copa Cabana (fechado). As filas maiores que se vão vendo são as dos bancos, esses que nos trataram muito bem para terem o nosso dinheiro.

O Banco Santander tinha uma fila aceitável de uma dezena de pessoas. A Caixa Geral de Depósitos tinha uma fila que subia a Rua Direita até quase ao Adriano. A Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo, a conhecida Caixa do Jardim, tinha uma fila que subia a Rua Direita até à porta do Jardim (fechado, assim como as retretes ali em frente). Os outros bancos não vi, não sei. Isto tudo a propósito de eu já na segunda-feira ter tentado fazer um depósito na Caixa do Jardim e ter desistido, porque nesse dia a fila então descia a Rua Direita até à Praça Velha. Esta Caixa continua a ser uma instituição bancária regional muito respeitada em toda a região e com créditos firmados entre a sua clientela.

Estas palavras para mostrar a minha profunda desilusão com o atendimento da Caixa do Jardim para com os seus clientes. Os conflitos de rua são mais que muitos. Segundo julgo saber, fecharam os balcões dos Biscoitos, de São Mateus e da Guarita para concentrar recursos humanos na sua Sede em Angra, e depois têm UM funcionário (que depois passou para dois) numas instalações com SETE, ou oito, balcões de atendimento. Parece-me um desrespeito total por quem passa duas horas, na rua (não chovia) à espera de ser atendido. Os clientes esperam e desesperam. É um assunto que compete à Administração resolver, não aos clientes…

Talvez não seja a época mais certa, mas quando é que se abandona a ideia típica portuguesa de o cliente esperar em vez do funcionário/empregado?

Casa da Terra Alta, São Mateus, 8 de Abril de 2020

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.