CHEGA/AÇORES considera que preço de leite pago ao produtor é insuficiente

CHEGA/AÇORES considera que preço de leite pago ao produtor é insuficiente

O Chega Açores lamentou ontem que ainda não se valorize a “excelência” do leite produzido nos Açores, defendendo que faltam mais campanhas de sensibilização, junto do consumidor final, para a promoção e valorização deste produto de qualidade da Região.

Intervindo na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, que ouviu em audiência o presidente da Federação Agrícola dos Açores e responsáveis da indústria do leite e dos lacticínios, a propósito de um diploma relativamente à adopção de medidas para o relançamento económico do sector do leite e laticínios, o líder do Grupo Parlamentar do Chega, disse não entender porque mais “facilmente se dá um euro por um litro de sumo, que não passa de água, pó e gás, do que se dá 50 cêntimos por um litro de leite”.

Carlos Furtado chama ainda a atenção para a necessidade de se aumentar o custo de produção em termos de mão-de-obra, adiantando que caso tal não aconteça, “corremos o sério risco de dentro de alguns anos não existirem produtores agrícolas por não quererem trabalhar por pouco dinheiro e numa profissão bastante exigente”.

O parlamentar questionou ainda os representantes da actividade sobre a capacidade das indústrias de lacticínios exportarem mais os seus produtos, acreditando que só por esta via se consegue pagar estes produtos com um valor mais justo ao produtor. Desta forma, o parlamentar entende que se estará a contribuir para a diminuição das dificuldades que a grande maioria dos produtores regionais hoje se depara, alertando que “não se fazem agricultores por decreto”. De acordo com Carlos Furtado, face ao actual estado da actividade agrícola, com os riscos inerentes à produção e com um elevado grau de exigência, o que vamos ter é a fileira da produção do leite cada vez mais pobre e desmotivada”.

Carlos Furtado considera que o preço médio pago à produção na Região, que se situa entre 28 e 29 cêntimos por litro, é bastante menor do que o valor médio pago na União Europeia, que se situa em 35 cêntimos, entendendo que é urgente criar condições para manter em actividade os produtores locais. Caso contrário, reconhece, “estaremos a avançar para a desmobilização da produção regional, o que causará mais um problema social grave, uma vez que existe uma parte considerável da nossa população que vive directa e indirectamente deste sector”.

Para o deputado do Chega, a exportação será a via mais adequada para garantir um aumento satisfatório do preço do leite pago à produção, defendendo que, para isso, “é determinante que o Governo intervenha no sector essencialmente na promoção dos produtos para lá da esfera do território português.

CHEGA/AÇORES/RÁDIOILHÉU