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CDU/AÇORES- A falta de estratégia e transparência na gestão da SATA

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Cerca de cento e trinta e três milhões de euros. Foi este o montante autorizado por Bruxelas para apoiar financeiramente a SATA, apesar de a empresa ter pedido cento e sessenta e três milhões de euros. Desta vez foi Bruxelas que auxiliou, permitindo um empréstimo temporário para solucionar necessidades urgentes de liquidez, dada a crise gerada pela pandemia de Covid-19. O objetivo declarado é “dotar a empresa de recursos suficientes para fazer face às suas necessidades urgentes e imediatas de liquidez até ao final de janeiro de 2021”. Mas todos os açorianos sabem que a companhia precisava de ser capitalizada e reestruturada muito antes do surto.
As contas e relatórios da SATA são tudo menos transparente ou públicos, mas a SATA tem capital público. Qual será, então, o motivo que leva a Administração e o Governo Regional a dificultarem tanto o acesso a estas informações?
A CDU sempre afirmou a defesa da SATA como empresa estruturante e estratégica para a Região, sendo esta companhia absolutamente necessária e imprescindível aos Açores e ao seu desenvolvimento.
Uma boa gestão que garanta a saúde económica e financeira do Grupo SATA, e que simultaneamente promova uma adequada e correta gestão operacional da sua frota, tem de ser o objeto de qualquer política que se preocupe a sério com os Açores, com o seu desenvolvimento futuro e acima de tudo com os açorianos.
Aquilo a que temos vindo a assistir, na gestão da SATA e no seguimento da política estratégica definida pelo Governo Regional para esta empresa, está longe de nos tranquilizar. O cenário que se nos apresenta provoca uma inevitável inquietação em quem, como o povo açoriano, tanto depende desta companhia.

De cada vez que são divulgados os Relatórios e Contas do Grupo SATA, crescem as dúvidas e multiplicam-se as pontas soltas em relação à sua gestão financeira. Mas a Administração e o Governo Regional, ao invés de serem corretos e transparentes quanto à estratégia de recuperação da SATA, afirmam que o conhecimento desta estratégia só provocaria “confusão significativa” ou que “não está pronto”.
É urgente corrigir as políticas adotadas para a empresa e para o setor, porque são elas, com o agravamento do surto de COVID-19, que estão inevitavelmente a conduzir a SATA ao desastre financeiro. A CDU continua a defender que a solução passa por se desenhar uma estratégia de crescimento e expansão que considere as dinâmicas do mercado do transporte aéreo. Essa estratégia terá de passar forçosamente por uma reestruturação organizacional que responda de forma coordenada, ágil e eficaz às exigências competitivas deste mercado.
Desde há muito que as diversas organizações representativas dos trabalhadores da SATA vêm denunciando os sucessivos erros da sua gestão, e vêm reclamando uma correta e adequada gestão que sirva de facto a empresa.
A CDU, por sua parte, não deixará de denunciar as políticas responsáveis pela situação aflitiva em que a SATA se encontra, e continuará como sempre a defender a concretização de uma política que salve a companhia e lhe permita cumprir a sua missão, que é servir os Açores e os açorianos.

CDU/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.