REGIONAL

BE/AÇORES critica Governo por ainda não ter o plano de recuperação de listas de espera que antes reivindicava

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O Bloco de Esquerda critica o Governo Regional por ainda não ter elaborado um plano de recuperação das listas de espera para consultas, cirurgias e exames, e por ter permitido a saída de dezenas de enfermeiros e médicos do Serviço Regional de Saúde para o sector privado, quando podia ter assegurado a sua permanência no sector público garantindo-lhes melhores condições.

“A resposta dos cuidados de saúde na Região, como sabemos, já não era muito saudável antes da pandemia”, e as “infindáveis” listas de espera para consulta e cirurgias, naturalmente aumentaram com a pandemia.

Mas só esta semana, e após uma denúncia do Bloco de Esquerda, foram publicados os dados atualizados das listas de espera: são mais de 13 mil cirurgias e mais de 10 mil pessoas. Um aumento de mais de 10% face a 2010.

No entanto, “desconhece-se ainda o que fará o governo para combater as listas de espera”. Ainda esta semana será debatida uma proposta do Bloco de Esquerda que recomenda ao Governo que faça de imediato um levantamento de todas as consultas, exames e cirurgias que foram adiadas devido à pandemia e apresente, no prazo de dois meses, um plano de recuperação com a calendarização das medidas a implementar e as metas a atingir.

“Quero enfatizar que atrás de cada número está uma pessoa em sofrimento”, assinalou o deputado do Bloco de Esquerda.

Numa declaração política realizada esta manhã no parlamento, António Lima lamentou que, ao fim de quatro meses, o governo regional não só “não tem o plano que tanto reivindicou junto do anterior governo”, como permitiu que 50 enfermeiros e mais de 40 médicos saíssem ou passassem a acumular funções no público e no privado.

No caso dos enfermeiros, tratando-se essencialmente de estagiários e precários, o Governo devia ter assegurado a sua permanência no sector público através da abertura de vagas nos quadros.

Mas foram também muitos os médicos – mais de 40 – que saíram do público, ou passaram a acumular funções com o privado, nomeadamente no novo hospital privado. Uma situação que vai prejudicar a resposta às necessidades dos utentes e aumentar os custos para a Região.

É a própria presidente da secção regional da ordem dos médicos dos Açores que o reconhece, ao considerar que o Hospital de Ponta Delgada fica impossibilitado de fazer face a muitas necessidades que tem pela simples razão de não poder contar com o trabalho extraordinário destes médicos que partiram para o hospital privado.

“Incrivelmente nada disto preocupa o Governo Regional!”, lamentou o deputado do Bloco de Esquerda, que lembrou que o Estado de Emergência em vigor prevê que o governo pode impedir a saída de profissionais de saúde do Serviço Regional de Saúde de modo a garantir a capacidade de resposta.

“Como explica então o Governo que, em pleno estado de emergência, tenham saído dezenas de profissionais do Serviço Regional de Saúde?”, questionou o deputado do Bloco.

António Lima reconhece que “nesta altura de urgência, e a bem dos açorianos e açorianas, o governo deve deitar mão de todos os instrumentos que tragam aumento de capacidade de resposta para fazer este combate às listas de espera”, incluindo o setor privado e social, mas assinala que não há mais valia em recorrer ao sector privado se os médicos são exatamente os mesmos.

Para proteger o futuro do Serviço Regional de Saúde é necessário “criar medidas para a fixação dos profissionais de saúde na Região, valorizar as carreiras existente e criar novas carreiras”, defendeu o deputado do Bloco de Esquerda.

BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.